11/01/2025

#Cassete


Título: Never Surrender

Artista: Destroyer 666

Media: Cassete

Ano: 2022

Género: Extreme Metal


Neo-nazis, islamofóbicos, homofóbicos, machistas, a lista continua. No mínimo, politicamente incorrectos. Curiosamente, nenhuma destas etiquetas pode ser justificada pelas letras das canções. Surgiram devido a comentários jocosos emitidos pelos membros da banda em diversas situações. Comentários esses que, há trinta anos atrás, seriam interpretados como humor de gosto questionável, nada mais que isso. Mas o mundo mudou e, é imperioso não ofender ninguém, muito menos minorias. Pode-se invadir, bombardear, matar, exterminar, torturar, explorar, escravizar. Mas ofender... Nunca.

É Rock N' Roll e devemos colocar as coisas em perspectiva. Se actuais ídolos do mainstream, glorificam a libertinagem sem consequência alguma, que resta para os meninos mal comportados do Rock N' Roll? Tricotar cachecóis e gorros com pompom? Mesmo discordando de eventuais posições ideológicas (que nunca manifestaram de forma declarada), acho muito bem que ofendam a torto e a direito. De qualquer modo, na realidade, o que significa ser nacionalista australiano? Koala uber alles? Heil Kangaroo? Risível.

A música, gosto bastante. Ocupa um slot sem grande concorrência, Rock N' Roll rápido e furioso, sem se comprometer com nenhuma estética ou género especifico. Não é Thrash, não é Death, não é Black. Os especialistas colocam-nos na gaveta do Extreme Metal (com razão, é de facto extremo) sem grandes adjectivos, porque não sabem muito bem o que fazer com eles. Estão mais próximos dos Exploited ou GBH do que dos Napalm Death. Sou de opinião que este género de abordagem ao Rock N' Roll faz falta e existe espaço suficiente para albergar mais bandas do género. Isso, ou, ressuscitar o Lemmy. Porque Motorhead faz muita falta. Porque Headcat, mesmo com David Vincent, não é a mesma coisa.

Serve para abanar o capacete e ficar com uns refrões orelhudos a rodar teimosamente na cabeça enquanto se bate o pézinho em ritmo acelerado. Cumpre a função de catarse para a agressividade latente. Serviço público, portanto. Gosto e estou-me borrifando para o resto.

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