Título: Gary Moore
Autor: Harry Shapiro
Ano: 2022
Idioma: Inglês
O autor, quando fez o trabalho de rastreio para decidir qual seria a próxima biografia que iria propor-se a escrever, ouviu uma gravação pirata (bootleg) de um concerto dos Thin Lizzy nos USA, quando fizeram as primeiras partes da tour americana dos Queen. Mesmo sendo alguém dentro do meio, ter privado com alguns dos músicos e bandas mais significativos da história, ter escutado com frequência grandes talentos, quando ouviu aquela gravação onde Gary Moore actuava, fez-se um nó na garganta e vieram-lhe as lágrimas aos olhos. Nunca, nenhum músico tinha tido tal impacto emocional nele. Ficou assim decidido que a biografia de Gary Moore seria a próxima.
Gary Moore faleceu em 2011, aos 58 anos de idade. O motivo inicial foi atribuído ao abuso de álcool. Na autopsia descobriu-se que Gary sofria de uma condição cardíaca nunca diagnosticada, a bebida na vida de Gary, apesar de não ser nada de mais pelos standards de um irlandês, junto com a patologia cardíaca, ditou a morte prematura. Apesar de não ser alcoólico, era habitual ser o ultimo a permanecer de pé no final da festa. Shapiro pediu á ex-esposa de Gary Moore para tentar sintetizar numa frase quem tinha sido aquele ser humano, ela respondeu: "Quando Gary abraçava alguém, essa pessoa permanecia abraçada". Um verdadeiro irlandês.
Era canhoto mas, por ignorância e falta de meios, aprendeu a tocar guitarra á direita. Justifica-se assim a assertividade característica do seu estilo. Dono de ouvido absoluto, perfeccionista na música, obstinado pela guitarra, nada fazia perder o foco, apesar de se movimentar num meio, e época, onde os excessos eram o rockstar way o life. Dito pelo próprio numa entrevista, "Se no fim de um concerto, ao chegar ao quarto de hotel, estivesse a Raquel Welch nua na cama e uma guitarra ao lado, pegava na guitarra". Já com a carreira lançada e reconhecimento internacional, um antigo colega de escola foi ao backstage cumprimentá-lo no fim de um concerto. Perguntou-lhe: "E agora? O que fazes para acalmar no fim de algo tão intenso?", Gary respondeu: "Toco guitarra."
O desprezo de Gary pela abordagem shredder á guitarra (tocar o maior numero de notas possível num espaço muito curto de tempo) era bem conhecido. Quando tocava nos USA, era frequente Eddie Van Halen ir assistir a algumas actuações. Uma dessas vezes, Gary, a meio de um solo, introduziu um improviso clonado do estilo de Van Halen, mas sem tremolo e sem levar a mão direita ao braço da guitarra, olhou directamente para Eddie Van Halen no lado do palco, e sorriu.
O livro é um trabalho admirável de pesquisa, em que, além das entrevistas aos meios de comunicação social e publicações especializadas possíveis de reunir, felizmente, tanto família como músicos e profissionais do meio, colaboraram de coração aberto, contando episódios, pintando um quadro bastante completo do músico e do ser humano. O autor expressa no livro o seu espanto em como tantas e tão importantes figuras da música atribuem a Gary Moore uma influência significativa nos seus próprios estilos e abordagens á guitarra, á música. Excelente leitura, recomendo.












