Título: Srength
Artista: Unto Others
Media: Cassete
Ano: 2021
Género: Gothic Metal
Tenho sempre algumas reservas em relação ao Gótico americano. Primeiro, porque a referência automática é Type O Negative e, qualquer coisa que se aproxime, é clone, descartável portanto. Segundo, porque as referências europeias são tantas e, com tanta legítima propriedade que, é difícil levar a sério tentativas de usar o mesmo molde (com seriedade) em geografias menos sombrias, mais ensolaradas.
Sobre este projecto, alguém escreveu: "...se os The Cure fizessem um álbum de Metal, seria algo neste género." Tenho tendencia em concordar. Circunspecto e sombrio mas enérgico e afirmativo. Não se fica com vontade de cortar os pulsos, enfrenta-se a negritude depressiva de cabeça erguida. Contém uma versão de um tema de Pat Benatar, razoavelmente bem conseguida. Por vezes, laivos de standards fazem soar alarmes mas, no computo geral o álbum tem valor para se erguer por si.
Tratando-se de um inicio de carreira, desculpa-se algumas deambulações fora dos trilhos. Futuros trabalhos encarregar-se-ão de cristalizar uma sonoridade própria definitiva. Ou não. Entretanto, aceito as expressões mais animadas e efusivas, contrastantes com as regras da estética onde se posicionam.
Musicalmente não produz grandes distúrbios, é competente sem ser brilhante. O suficiente para ficar no radar, motivando o acompanhar do progresso. Não repele quem seja estranho ao género, nem se corre risco de ficar convertido. Vale a pena ouvir, não obriga a ter antidepressivos á mão.
É o segundo registo gravado pela banda e já exibe um investimento claro na captação/mistura/masterização. O resultado é um som excelente, também ele indiciador que alguém está a apostar neste cavalo. Repito: Vale a pena ficar a conhecer.

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