Título: Cruz Credo
Artista: La Chanson Noire
Media: CD
Ano: 2020
Género: Cabaret Music / Post Punk / Goth Rock
Piano e voz conjugam-se numa atmosfera de ar viciado, saturado de fumo, odor a álcool e a suor. A língua afiada dispara criticas mordazes, expõe vícios privados e levanta véus de tabu, por cima de melodias encantadoras. Com a autenticidade de uma taberna, desfilam perante nós travestis envoltos em plumas e lantejoulas, desafiando pudores e inseguranças que não sabíamos que tínhamos. A decadência urbana, humana, é quase palpável.
Por vezes fico surpreendido com o nível de qualidade (e originalidade) de alguns projectos artísticos, só e apenas, por terem aparecido em Portugal. Este é um desses casos. Lamentavelmente a excelência acontece e, o publico que usufrui dela, é muito limitado em número.
Tive a oportunidade de ver ao vivo e, nesse momento, decidi adquirir tudo o que houvesse em disco. Lamentavelmente (mais uma vez), existe pouca coisa. Dois álbuns e uma coletânea é o que há. E, aparentemente, não vai haver mais. O projecto extinguiu-se.
Musicalmente, é algo que encaixava bem entre uns Diary of Dreams e uns Deine Lakaien num concerto qualquer. Agora, que vim parar às referências germânicas, ocorreu-me que, os Rammstein nunca teriam atingido o patamar de popularidade que atingiram se cantassem numa língua que toda a gente percebesse. Rapidamente teriam à perna um exército de puritanos com forquilha e tocha em punho. Este disco de La Chanson Noire é perfeito para oferecer a um amigo puritano. E ficar a observar a combustão espontânea subsequente.

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