Título: The Number Of the Beast (remastered)
Artista: Iron Maiden
Media: Cassete
Ano: 2022 (1982 reissue)
Género: Heavy Metal
Comprar um álbum de 1982 em 2022, em cassete, ilustra perfeitamente o propósito deste blog. Aprofundando a contextualização, possuo (em vinil) o original de 1982, a reedição comemorativa dos quarenta anos (sem ser remasterizada) e uma versão limitada Picture Disc. Quatro exemplares do mesmo álbum, três em vinil, um em cassete. E quando me apetece ouvir, qual ponho a tocar? Exactamente. O original de 1982, já muito estafado. A relação afectiva que desenvolvi com o objecto é inultrapassável pelas versões mais recentes, em perfeitas condições de tocabilidade. Este laço é impossível de acontecer com uma playlist do Spotify ou ficheiros mp3 gravados numa pendrive. É isto que se perde. A relação com o objecto artístico. Consequentemente com o artista e, com a marca. Por algum motivo, tudo o que é gente no mundo virtual, tem como prioridade o engagement com o consumidor. Ou seja, a relação, o laço. O suporte físico faz isso por si só. Despertam para a necessidade de fidelização do consumidor, num universo onde a regra é o descartável. Boa sorte com isso.
Saindo um pouco fora do âmbito deste blog: A modernidade dos tempos glorifica o desligar. O anular das relações. Empáticas, afectivas, bidirecionais. O paradigma do glory hole. Meter a pila num buraco na parede e alguém anónimo do outro lado trata do assunto. Não quero saber quem, não quero ver a cara, não quero conhecer, não quero interagir. Apenas quero o assunto tratado.
Quando os jovens de hoje forem questionados pelos seus netos acerca da música e dos artistas que impactaram a sua juventude, duvido que o imaginário dessas crianças consiga ser estimulado por menções a playlists do Spotify. Ou um avô a tentar trautear uma mix do David Guetta.
Foram estes os motivos que me levaram a criar o blog. Não existe patrocínio de editoras nem favores subservientes, todos os objectos pertencem ao meu espólio pessoal. No limite, o que pode ser questionável, é a minha capacidade de curadoria. Pode ter a mesma importância que publicar a fotografia do pequeno almoço no Facebook mas, tem outro significado.
Ah! O The Number Of The Beast dos Iron Maiden, em cassete, remasterizado: É fixe.

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