Artista: The Temple
Media: CD, digipack, DVD
Ano: 2004
Género: Nu Metal / Groove Metal / Heavy Metal / Hardcore
Lembro-me deles aí por 1994 ou 1995, algures no Porto, não me recordo dos detalhes, nem consigo contextualizar melhor, mas estive lá. Banda nacional com um inicio de carreira bastante promissor e com uma sonoridade definitivamente enterrada no Rock pesado mas sem compromisso com nenhum dos géneros ou sub géneros. Têm em seu nome três álbuns e dois EP's. Este é o penúltimo álbum. Digo "promissor" porque, de facto, houve um certo buzz á volta dos The Temple em finais de 90's e inícios de 00's. Despertaram o interesse de editoras, foram gravar a Inglaterra (este álbum), trabalharam com o produtor Tue Madsen (álbum seguinte (2015) e último até á data), fizeram as primeiras partes de Machine Head, Entombed, Kreator, fizeram o circuito dos festivais nacionais. Mas na realidade, os anos passaram, aconteceram mudanças de line-up e, desapareceram na obscuridade.
Fiquei algo surpreso por os apanhar ao vivo em Lisboa em 2024, a tocar para meia sala. Pensava que o projecto estava em pausa, ou pior. Ao vivo, são excelentes, embora pareça que estão a tocar para si mesmos e o público um mero voyeur de algo íntimo e privado.
Musicalmente competentes e donos de um punhado de canções dignas de grandes voos, praticam o tal Rock pesado sem vínculo a uma estética específica. Embora tenham criado algo singular, esta independência provavelmente não jogou bem bem a favor. A fidelização do consumidor não resultou, pelo menos em pleno. O preço a pagar por não se colarem a standards.
Como as minhas preferências não dependem de eventuais sucessos comerciais, gosto bastante da música que fazem e, caso se proporcione irei ver ao vivo todas as vezes que conseguir. Em disco, valem mais pela musicalidade que pela gravação/mistura/masterização. Respeito o trabalho feito mas, não considero admirável. Falha em reflectir a cumplicidade e entrosamento que se testemunha ao vivo. Não me interpretem mal, é bom, muito bom. Se calhar, se nunca tivesse visto ao vivo, achava a versão gravada o melhor do mundo.
Este álbum e o seguinte (Serpentiger) deviam estar na prateleira de todo o headbanger português. Não só por motivos históricos ou colecionismo mas, porque me irritam alguns comentários ignorantes acerca do que é "inovador" e "pedrada no charco" no panorama musical nacional.

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