01/01/2025

#Vinil


Título: Absolute Elsewhere

Artista: Blood Incantation

Media: Vinil preto, 12", 33rpm, gatefold

Ano: 2024

Género: Progressive Death Metal


Apontado por muitos como o melhor álbum de 2024. Nos cinquenta escolhidos pela Metal Hammer, ocupa a primeira posição. Gosto muito e subscrevo a classificação, pelo menos parcialmente. Interpreto o galardão mais como um reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido pela banda até agora, do que, apenas este disco. Possuem quatro álbuns e três EP's no catálogo. Todos obedecem á mesma fórmula excepto um, mas todos são muito bons. Daí suspeitar que o valor qualitativo atribuído a este, resulta da soma dos anteriores. Não é que tivessem sido injustamente ignorados, cada um na sua altura foi bastante elogiado, mas se calhar, não o suficiente. Um bocadinho de redenção por parte dos críticos, talvez.

O álbum tem apenas dois temas, um de cada lado, ambos além da marca dos vinte minutos. Acerca do Death Metal ninguém tem dúvidas, acerca do progressivo... São mais ou menos óbvios os traços de Pink Floyd e Tangerine Dream dispersos pelos dois temas. Isto e a duração dos temas, é suficiente para conferir a etiqueta de progressivo. No entanto, a componente que mais me atrai nesta banda é a ousadia do experimentalismo. Pouco mencionada pelos críticos especializados.

O único álbum que não encaixa no molde intitula-se Timewave Zero, é completamente eletrónico e instrumental. Existe outro álbum com o mesmo nome da autoria de Grendel na estética do Industrial / Synth Wave / Dance Music. Nada a ver. Até fiquei espantado por um disco com estas características ter sido posto no mercado sob a designação Blood Incantation. É tão one off que, parecia mais adequado ser editado por um projecto paralelo com outro nome. Constituído em exclusivo por paisagens electrónicas ambientais, assemelha-se muito ao que Tangerine Dream fez na sua ultima fase, sem nada do progressivo (fase intermédia) ou da improvisação caótica (fase inicial). Ambientes contemplativos muito bem elaborados em temas muito longos. Ora, esta componente ressurge neste álbum e brilha com intensidade. Peca apenas pela fácil e imediata relação com... Tangerine Dream. Assim como outras passagens se associam imediatamente a Pink Floyd.

Pelos finais de '60, princípios de '70, existiu uma etiqueta para o que era genericamente música com estas características, entretanto caiu em desuso: Space Rock. Coisas muito trippy, muito inspiradas pelo consumo de drogas alucinógenas. Ao vivo, orientado para o improviso, para a experimentação.

Nada do que escrevi atrás pretende denunciar plágio ou falta de originalidade, não quero de modo algum retirar valor. É um bom álbum, que se coloca numa estética rara para a actualidade. Onde a janela de atenção do público não atinge os três minutos, torna-se obviamente música para apreciadores selecionados. A estranheza é mesmo essa: Muita gente considerou isto o melhor álbum do ano! Fantástico! Afinal nem tudo está perdido.

Aconselho vivamente.

Sem comentários:

Enviar um comentário

#Livro

  Título:  A Miúda da Banda Autor:  Kim Gordon Ano: 2016 Idioma: Português Os Sonic Youth foram apenas um expediente criativo. A vida de Kim...