28/01/2025

#CD

 

Título: Heartless Oppressor

Artista: Primal Attack

Media: CD, digipak

Ano: 2017

Género: Thrash / Hardcore


Segundo álbum de mais uma banda portuguesa intermitente. A música é de uma competência irrepreensível e a aceitação foi bastante notável, criando um público fiel logo desde o início do projecto em 2012. Só que... Desde este segundo álbum, passaram oito anos sem mais nada acontecer. Perdoem-me mas, não são aparições esporádicas ao vivo, ainda assim raras, que colmatam o vazio. Recomeçar é sempre mais difícil que dar continuidade a algo que já tenha tomado balanço. Vencer a inércia inicial, onde reside o esforço maior, já estava feito. Era de aproveitar o momentum.

Claro que, os anos passam, a vida muda, surgem outras prioridades. Mas, infelizmente, esta é a história de inúmeras bandas portuguesas com pernas para andar e que cessam a actividade, ou, passam a fazer "aparições" muito especiais, muito exclusivas, de tempos a tempos. Para matar saudades.

Algumas destas histórias, não são bem assim como estou a contar. Por vezes (inúmeras vezes) surgem projectos musicais cheios de sumo, muito válidos, muito competentes, mas, na realidade, o seu propósito resume-se a um showcase. De alguém ou de alguma coisa. Quando cumprida a sua função, cada um segue a sua vida e a banda é descartada. A base de fans entretanto formada, fica desiludida, mas isso é pouco ou nada importante. Até porque, online, tudo continua vivinho e activo. Como se o virtual substituísse o real.

Não devia ser preciso montar um restaurante gourmet meramente para promover o fulano que faz os guardanapos. Mas é o que acontece, com frequência. Isso e músicos com múltiplas bandas de múltiplas sonoridades, quando uma está fora de moda, pega-se noutra que pratique um som mais em voga. Se o festival for de Black, tenho banda para lá ir, se for de Death, tenho banda para lá ir, se for de Stoner, tenho banda para lá ir, se for de Punk... you get the idea.

Provavelmente somos um mercado demasiado pequeno para que sonhos singulares sejam possíveis de realizar, e manter. Deste sonho especifico, os Primal Attack, tenho pena. Gostava de o ver concretizado. Não só porque gosto, mas também porque estava muito bem feitinho. Era produto acabado e de qualidade. Enquanto há vida há esperança.


PS - Não estou a acusar esta banda especifica de ser um showcase ou expediente para "caçar" slots em festivais. Falo genericamente do panorama português. Salpicado por casos que encaixam perfeitamente na descrição.

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