Artista: Obituary
Media: Cassete
Ano: 2023
Género: Death Metal
Habitualmente, os jovens que se sentem atraídos pelo Metal, aderem inicialmente às manifestações mais agressivas do género. Só à medida que os anos vão passando e a personalidade amadurecendo é que admitem interesse por coisas mais suaves, mais melódicas. O meu percurso foi diferente. O inicio do Death e Black Metal, não me cativou. Conheci e ouvi tudo, acompanhei a cronologia do surgimento dos subgéneros a tempo real, mas, as vertentes mais abrasivas repeliam-me. Desde cedo, considerei o som mais importante que a música e, o som dos primeiros álbuns de Thrash, Death, Black, era pura e simplesmente horrível. Como era algo com futuro incerto, as editoras não atiravam dinheiro aos projectos. Limitavam ao máximo as despesas até ver o que aquilo ia dar. Não acreditavam que existisse mercado para algo tão ruidoso. A somar a esta hesitação cautelosa, como era algo inteiramente novo, produtores e técnicos dos estúdios, não sabiam o que fazer e como fazer. Não sabiam como controlar e registar uma fúria sónica tão avassaladora. Só a partir de finais de 80's, princípios de 90's, já com as dúvidas e receios ultrapassados, com experiência adquirida entretanto, começaram a surgir discos destes subgéneros com um som decente. E aí, interessei-me.
Obituary logo desde o primeiro álbum (1989), apresentou uma sonoridade bastante bem conseguida. Não passou um período inicial tortuoso a debater-se com um som frágil, mais abrasivo que impactante. É esmagador desde o início. Souberam controlar o detune dos instrumentos, souberam captar de forma clara as frequências mais graves sem resultar numa massa viscosa e disforme. Os primeiros três álbuns são clássicos obrigatórios para qualquer headbanger que se preze.
Ao longo da carreira mantiveram-se fiéis à fórmula que criaram e, ainda hoje, não difere muito do que faziam há quarenta anos. É bom e é mau em simultâneo. Se por um lado, não desilude, por outro, resume-se a mais do mesmo. Este álbum, o mais recente, é um bom álbum. Mas quando decido escutar Obituary, prefiro pôr a tocar qualquer um dos três primeiros. Ou todos os três primeiros.
Confesso que escutei este disco um par de vezes, confirmei a qualidade, é de facto um bom disco, mas... acabei por o encostar. Há uma série de bandas que sigo religiosamente a carreira. Compro todos os álbuns, bons e menos bons. Mas escutar... Só escuto os espetacularmente bons. O resto, é colecção, porque sou fan e quero ter tudo. Embora não ouça, regularmente, tudo.
Provavelmente tem também a ver com a minha idade. Não é absolutamente necessário andar quarenta anos para trás de modo a obter a minha dose diária recomendada disto ou daquilo, posso perfeitamente obter essa dose com o que existe hoje no mercado. Mas... Se calhar isso obriga-me a enfrentar o reumático. Prefiro recordar o tempo em que não me doía o pescoço, os joelhos, as costas, tinha cabelo, e os dentes quase todos. Saudosismo, é o que é.
Bottom line; è um bom álbum. Mas prefiro os primeiros.

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