Autor: Ozzy Osbourne
Ano: 2010
Idioma: Inglês
Uma vida preenchida. Quando for, vai de barriga cheia. Esta é ideia que fica após ler esta biografia escrita na primeira pessoa. Filho da primeira geração pós segunda guerra mundial, a realidade que enfrentou não foi propriamente fácil ou agradável. Numa Inglaterra a reconstruir-se, as condições de vida da classe trabalhadora eram inclementes. Só já tarde na vida foi identificada a sua dislexia. Por isso, passou as primeiras décadas de vida sem saber ler ou escrever, intitulado de burro e incapaz na escola, condenado a empregos miseráveis e a um ambiente social degradante. O interesse pela música, onde identificou uma possibilidade de fuga à vida que se perfilava, levou-o a juntar-se a outros da mesma geração e formar os Black Sabbath. Então, este pobre analfabeto miserável, abriu a boca e começou a cantar. E toda a gente ficou de queixo caído.
É a sua história, a dos Black Sabbath e a de Ozzy Osbourne a solo. Onde Ozzy estivesse presente, coisas aconteciam. Algumas chocantes, outras hilariantes. Algumas brilhante, algumas trágicas. De miserável faminto a multimilionário, com tudo pelo meio. Os excessos, álcool, drogas, todas drogas, sexo, mais drogas, mais álcool, até á recuperação possível para quem abusou tanto de tudo.
Sem pudores, embaraços ou vergonhas, conta a sua história de vida o melhor que se consegue lembrar. A leitura é bastante cativante pelo seu tom humorístico e, até mesmo nos momentos mais negros Ozzy nunca perdeu o sentido de humor. Quem acompanhou o reality show na MTV e segue online os podcasts, faz uma ideia bastante aproximada do que é o turbilhão de insanidade contrastante com momentos de lucidez profunda surpreendentes. Ozzy é assim, uma viagem na montanha russa. Ou antes, uma viagem num Crazy Train.
O livro vale totalmente a pena. Ozzy é um dos grandes, o seu legado é extenso e carregado de pontos altos. Houve passagens do livro que tive a sensação de o ter á minha frente a contar um ou outro episódio pessoalmente. É este o nível de intimidade que a organização da narrativa consegue conquistar. Está muito bem escrito e é sem dúvida mais um ponto alto na sua carreira. Recomendo.

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